OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E POLÍTICA AMBIENTAL: ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA E OPORTUNIDADES ESTRATÉGICAS PARA O BRASIL

DOI

https://doi.org/10.47820/recima21.v6i12.7042

Downloads

PDF

Resumo

A Agenda 2030 estabeleceu 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) como referência global para políticas públicas, proclamando a indivisibilidade entre suas dimensões econômica, social e ambiental. No entanto, a efetividade desta agenda depende da capacidade da ciência em produzir conhecimento integrado que subsidie a formulação e implementação de políticas ambientais. Este estudo analisa a produção científica sobre Política Ambiental e ODS através de análise bibliométrica em múltiplas bases de dados (Scopus, Web of Science Core Collection) no período 2015-2024. Utilizando uma estratégia dual de busca, separada e unificada, foram identificados 225.666 documentos sobre ODS e Política Ambiental separadamente (Scopus + WoS Core Collection), mas apenas 1.463 documentos na intersecção efetiva entre os temas. Os resultados revelam contração de 99,4%, concentração temática severa (ODS 13 com 277 documentos vs. ODS 16 com 4), hegemonia geopolítica (China e EUA lideram com 35,9% do total no Scopus), marginalização linguística (98,0% em inglês, 0,4% em português) e posicionamento paradoxal do Brasil (9º em Política Ambiental no Dimensions com 1.135 documentos, mas 17º na intersecção no Scopus com apenas 35 documentos, 3,5% do total). Identificam-se ODS socioinstitucionais negligenciados (6, 16, 17) como oportunidades estratégicas para o Brasil liderar pesquisa em implementação contextualizada, explorando expertise nacional em saneamento, governança participativa e gestão de recursos em contextos de limitação orçamentária.

Biografia do Autor

Tatiana da Silva Ferreira, Faculdade de Tecnologia da UNICAMP

Graduação em Ciências - Licenciatura Plena em Biologia pelo Centro Universitário Barão de Mauá. Especialista em Gerenciamento Ambiental pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - ESALQ. Graduação em Pedagogia e Licenciatura em Matemática pelo Centro Universitário Claretiano. Mestranda em Tecnologia (Área: Ambiental) pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Professora do Ensino Fundamental e Médio na Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo.

Rafael Costa Freiria, Faculdade de Tecnologia da UNICAMP

Graduação em direito pela UFPR. Especialista em direito público. Mestre em direitos difusos e coletivos pela UNESP. Doutor em saneamento e meio ambiente pela UNICAMP. Pós-Doutorado em direito ambiental e sustentabilidade na Universidade de Alicante, Espanha. Professor na UNICAMP, Coordenador do Laboratório de Políticas Públicas Ambientais e Pesquisador Líder do Grupo de Pesquisa "Direito e Políticas Públicas Ambientais" do CNPq.

Referências

ARAÚJO, C. A. Bibliometria: evolução histórica e questões atuais. Em Questão, v. 12, n. 1, p. 11-32, 2006.

BIERMANN, F.; KANIE, N.; KIM, R. E. Global governance by goal-setting: the novel approach of the UN Sustainable Development Goals. Current Opinion in Environmental Sustainability, p. 26-27, 2017.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal, 1988.

BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 1981.

CLARK, W. C. et al. Boundary work for sustainable development: Natural resource management at the Consultative Group on International Agricultural Research (CGIAR). Proceedings of the National Academy of Sciences, v. 113, n. 17, p. 4615-4622, 2016.

CUNHA, L. H.; AUGUSTIN, S. Sustentabilidade ambiental: estudos jurídicos e sociais. Caxias do Sul: Educs, 2014.

ELDER, M.; BENGTSSON, M.; AKENJI, L. An optimistic analysis of the means of implementation for sustainable development goals: thinking about goals as means. Sustainability, v. 8, n. 9, p. 962, 2016.

FUKUDA-PARR, S. From the Millennium Development Goals to the Sustainable Development Goals: shifts in purpose, concept, and politics of global goal setting for development. Gender & Development, v. 24, n. 1, p. 43-52, 2016.

GUIMARÃES, R. P.; FONTOURA, Y. S. R. Desenvolvimento sustentável na Rio+20: discursos, avanços, retrocessos e novas perspectivas. Cadernos EBAPE.BR, v. 10, n. 3, p. 508-532, 2012.

HOCHSTETLER, K.; KECK, M. E. Greening Brazil: environmental activism in state and society. Durham: Duke University Press, 2007.

HULME, D. The Millennium Development Goals (MDGs): a short history of the world's biggest promise. BWPI Working Paper, n. 100, 2009.

IPEA - INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Agenda 2030: ODS - Metas Nacionais dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Brasília: IPEA, 2018.

JATOBÁ, S. U. S.; CIDADE, L. C. F.; VARGAS, G. M. Ecologismo, ambientalismo e ecologia política: diferentes visões da sustentabilidade e do território. Sociedade e Estado, v. 24, n. 1, p. 47-87, 2009.

KATES, R. W. What kind of a science is sustainability science? Proceedings of the National Academy of Sciences, v. 108, n. 49, p. 19449-19450, 2011.

MAPBIOMAS. Relatório Anual de Desmatamento no Brasil. São Paulo: MapBiomas, 2024.

MILARÉ, É. Direito do ambiente. 10. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2015.

MOTTA, R. S. Economia ambiental. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006.

MOURA, A. M. M. (Org.). Governança ambiental no Brasil: instituições, atores e políticas públicas. Brasília: IPEA, 2016.

NAKAMURA, M.; PENDLEBURY, D.; SCHNELL, J.; SZOMSZOR, M. Navigating the Structure of Research on Sustainable Development Goals. London: Institute for Scientific Information, 2019.

NILSSON, M. et al. Map the interactions between Sustainable Development Goals. Nature, v. 534, p. 320-322, 2016.

NILSSON, M.; GRIGGS, D.; VISBECK, M. Policy: Map the interactions between Sustainable Development Goals. Nature, v. 534, n. 7607, p. 320-322, 2016.

OMS - ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Progress on household drinking water, sanitation and hygiene 2000-2022. Genebra: OMS/UNICEF, 2023.

ONU - ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Nova York: ONU, 2015.

PRITCHARD, A. Statistical bibliography or bibliometrics? Journal of Documentation, v. 25, n. 4, p. 348-349, 1969.

SALVIA, A. L. et al. Assessing research trends related to Sustainable Development Goals: local and global issues. Journal of Cleaner Production, v. 208, p. 841-849, 2019.

SWEILEH, W. M. Bibliometric analysis of scientific publications on "sustainable development goals" with emphasis on "good health and well-being" goal (2015-2019). Globalization and Health, v. 16, n. 68, 2020.

TRATA BRASIL - Instituto Trata Brasil. Ranking do Saneamento 2023. São Paulo: Instituto Trata Brasil, 2023.

VANTI, N. A. P. Da bibliometria à webometria: uma exploração conceitual dos mecanismos utilizados para medir o registro da informação e a difusão do conhecimento. Ciência da Informação, v. 31, n. 2, p. 152-162, 2002.

YOUNG, C. E. F.; RONCISVALLE, C. A. Expenditures, investment and financing for sustainable development in Brazil. Santiago: CEPAL, 2002.

ZUPIC, I.; ČATER, T. Bibliometric methods in management and organization. Organizational Research Methods, v. 18, n. 3, p. 429-472, 2015.

Como Citar

da Silva Ferreira, T., & Costa Freiria, R. (2025). OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E POLÍTICA AMBIENTAL: ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA E OPORTUNIDADES ESTRATÉGICAS PARA O BRASIL. RECIMA21 - Revista Científica Multidisciplinar - ISSN 2675-6218, 6(12), e6127042. https://doi.org/10.47820/recima21.v6i12.7042